✉️ : giorno ! ✉️ : talvez se você tivesse tido olhos para além da nova habitante de khadel , teria ficado sabendo de primeira mão ✉️ : eu literalmente estava do outro lado da janela de vocês dois ✉️ : mas respondendo à sua primeira pergunta , ele ganhou uma aposta e pediu como pagamento um jantar ✉️ : sendo sincera , não sei se como estou sentindo é exatamente bem ✉️ : e continuo odiando , não se preocupe ✉️ : hm , curioso que eu também não tenha ficado sabendo com quem iria no giardino até chegar lá ✉️ : imagina minha surpresa em não só te ver incrível em roupas sociais , inclusive devo ficar ofendida que não me pediu opinião alguma sobre ? ✉️ : mas na companhia da famosa garota problema e sorrindo abertamente ainda por cima !!!!
SMS to [little nessie] || @neslihvns
📲 [aaron]: nes
📲 [aaron]: tá aí?
📲 [aaron]: que história é essa que você saiu com Camilo Ricci?
📲 [aaron]: é pq diabos estou sabendo disso por um cliente bêbado aqui do bar?
📲 [aaron]: o q aconteceu? vc tá bem? pensei que você odiasse o cara!
✉️ : mas nem mesmo se quem morreu ressuscitasse , apontasse uma arma para a minha cabeça e me obrigasse
✉️ : uma noite com você atrapalhando o MEU encontro é o máximo que consigo digerir da sua presença em um mês
✉️ : e já pensou na possibilidade que eles morreram PARA escapar do amor ?
✉️ : eu até poderia continuar a nossa conversa maravilhosa , mas tenho que levar o meu cavalo para passear
✉️ : pelos próximos sete dias
✉️ : ti parlo dopo
with @neslihvns
📲 [milo]: eu disse que éramos feitos um pro outro!
📲 [milo]: não tem como escapar do amor, hani
📲 [milo]: tudo bem que o pessoal lá atrás escapou sim porque morreu todo mundo
📲 [milo]: super triste
📲 [milo]: bless their heart
📲 [milo]: enfim, o cara voltou do plano espiritual pra abrir uma cachoeira pra gente, eu acho que no mínimo tínhamos que sair pra tomar um drink e descobrir nosso destino
observando romeo e graziella desaparecerem na vastidão do closet feminino , um sorriso delicado se assentou nos traços de neslihan , solidificando-se como um reflexo de sua ternura . inquieta , enquanto a voz infantil preenchia o ambiente com sugestões lançadas ao ar , retomou os presentes , recolocando-os cuidadosamente nas caixas estilizadas , os depositando sobre uma das mesas de cabeceira antes de se voltar para os lençóis , esticando-os com precisão , ajustando o duvet , alinhando a manta e , por fim , afofando os inúmeros travesseiros . finalizou o último detalhe a tempo de testemunhar outra investida do pequeno rumo à cama , desfazendo seu trabalho meticuloso com um risinho travesso . entre risadas que iluminavam sua alma , ela se lançou à brincadeira , provocando-o com cócegas enquanto ele se contorcia em meio a gargalhadas cristalinas . preparava-se para outra rodada quando a voz de grazi ecoou pelo ambiente . ❝ maravilhosa , não está , romeo ? ❞ com uma piscadela exagerada para o cúmplice , ela assentiu , entrelaçando a palma na dele antes de se erguerem juntos . ❝ agora temos duas opções . podemos ir direto para o studio e depois encontrar romeo e ginevra na pasticceria para escolher um bolo e ter um café da manhã digno, ou comer algo agora e então seguir para o studio . ❞ anunciou , desvencilhando-se suavemente e caminhando em direção ao hall de entrada , onde havia deixado sua bolsa . ❝ eu e romeo preferimos a primeira opção, sob a promessa das panquecas de ricotta que só a signora isabella sabe fazer . ❞ lançando um olhar de cumplicidade ao pequeno , sorriu . ❝ mas a escolha é completamente sua . ❞ a ênfase era quase uma súplica disfarçada em nome do entusiasmo da criança , que parecia ter um paladar tão doce como o seu , e cujos os olhinhos brilharam com a mera menção da delícia sugerida no dia anterior .
com ambos os pares de salto ressoando suavemente na entrada do studio , neslihan tomou uma respirou profunda , permitindo que o aroma adocicado que permeava o ambiente aliviasse , ainda que sutilmente, a tensão dos músculos . com os braços entrelaçados ao da giordano , colou seu corpo ao dela , consciente de que precisavam sustentar a ilusão do encontro que pretendiam vender . já havia preparado a amiga acerca do pretexto criado pelo anúncio de olivia , e agora o espetáculo estava prestes a começar . pela recepcionista de sorriso amplo foram conduzidas ao segundo andar , onde se localizava o spa e durante o trajeto , detalhava sobre o que as aguardava . poderiam trocar massagens entre si ou serem massageadas , seguido de um tratamento dermatológico , um banho relaxante e , por fim , um tempo livre para simplesmente desfrutar do ambiente até quando desejassem . a gökçe desviou o olhar para a amiga , o brilho bem humorado cintilando em suas íris ao arquear uma das sobrancelhas . ❝ e então, mia dolce metà ? ❞ segurando o riso , o tom melífluo era carregado de doçura exagerada . ❝ como disse mais cedo , hoje a escolha é inteiramente sua . ❞ manteve a expressão impassível , ainda que pudesse praticamente prever a resposta de graziella . ela optaria pelo atendimento profissional , é claro . não que a alternativa fosse completamente descartável… e graziella certamente não questionaria , muito , ao menos não de maneira pública , os hematomas arroxeados que marcavam suas costelas e quadris .
Por mais que Graziella seja uma mulher que ame uma comemoração, o aniversário sempre foi algo que passou a querer que não seja tão grandioso assim. Quando mais nova, adorava fazer festa, reunir conhecidos e desconhecidos em sua residência e ouvir a repercussão ser comentada pelos corredores da escola pelo resto da semana. Hoje em dia, algo com as pessoas que importavam era mais do que suficiente para a italiana. Por esse motivo que a mulher não se importou muito de levantar da cama cedo, postergando o máximo que conseguisse. Ela só não esperava que fosse recepcionada pelos dois furacões de sua vida.
"Buon compleanno, mamma." Ouviu do pequeno segundos antes de receber a parabenização da amiga. Em dias normais, teria repreendido Romeo por chamá-la de mãe na frente dos outros, mas ali só tinha Neslihan, a única pessoa no mundo em quem confiara seu segredo e que sabia que não passaria adianta Além disso, era o seu dia e podia se beneficiar com um pouco de carinho. Por esse motivo, com um sorriso preguiçoso nos lábios, Graziella envolveu a cintura pequeno italiano, sentindo aquele asco característico ganhar espaço no qual ela ignorou ao deixar o beijo na testa de Romeo em seguido do rosto de Nes. "Obrigada." Respondeu, sentando na cama para que conseguisse ver os presentes.
As orbes verdes brilharam ao reconhecer o sapato de imediato, demorando nele por mais tempo que o normal antes de observar a bolsa e por fim os convites que a fez sorrir de canto. "Quando se conhece sua melhor amiga, é impossível errar os presentes." Olhou para a turca, deixando todos eles na enorme cama ao levantar, esticando a mão para filho que não hesitou em pegar. "Venha, hoje vai escolher o que eu vou usar com a tia Nes." Avisou, puxando-o em direção enorme closet.
Talvez fosse o bom gosto que foi herdado de mãe para filho ou apenas obra do destino, mas Graziella se ajeitou ao colocar o cropped por cima da camisa escolhida por Romeo, a bota - que preferia usar outra mas o filho insistiu no 'cowboy' -, os acessórios, o cabelo preso em um rabo de cavalo baixo, óculos de sol na cabeça e então saiu pronta, mostrando o look para os dois. "Estou bonita?"
com os antebraços apoiados contra a pegajosa bancada , a pele despida do blazer e sobretudo se arrepiava contra o ar palpável do the loft. neslihan questionava se aquela realmente era uma boa opção para finalizar o dia que a exaurira , mas a certeza de negronis de proveniência questionável — dos quais já havia consumido o suficiente para justificar a postura desalinhada — firmava sua permanência por um interlúdio. o gravame psíquico arqueava os ombros , os nervos tilintantes suprimindo o que restava de paciência em seu âmago , e somente a noção de estar sozinha , ainda que cercada de pessoas , a fazia respirar pausadamente em tentativa de conter o ímpeto que se alastrava. não só pela sandice que parecia ter tomado khadel que o estado de humor mordaz da gökçe se manifestava , mas também pelo caso de severidade peculiar que havia chegado em suas mãos — a complexidade similar ao último , e único , litígio malsucedido de sua carreira. a memória escaldante , marcada não só pela vaidade ferida , mas pela sensibilidade do assunto e as figuras associadas , permanecia um peso em suas entranhas , a impregnando de amargura. por breves instantes almejou uma presença com quem pudesse exorcizar o sentimento , mas rapidamente rejeitou a noção como uma simples frivolidade. o fim de mais um negroni entre as palmas — frias ao toque , mas abrasadoras contra o delicado vidro — , preparava-se para adornar as feições com um breve sorriso e solicitar outra sequência do drink , quando os sons dispersos do bar e o inconfundível timbre da última pessoa que desejava encontrar , fosse naquele instante , ou em qualquer outro , se quisesse ser honesta , a alcançaram em um único impulso. todo o amargor que fervilhava em seu íntimo encontrou escape diante da voz que transbordava arrogância, como se a verdade fosse sua propriedade exclusiva , e ele , o único digno de desvendá-la. a risada carregada de escárnio escapou os lábios ainda tingidos do habitual carmesim antes mesmo que pudesse pensar em reprimi-la — não que fosse fazê-lo de qualquer forma. ❝ ah , claro... e você é a maior autoridade em amor que existe , não é mesmo , d'amato ? ❞ as orbes vagamente turvas atinham-se ao homem , a meros dois bancos de distância. a quanto tempo ele estava ali?
❝ com todas as suas brilhantes músicas e poesias verbais , como não ser. ❞ os lábios repuxavam-se sutilmente em ironia , o desprezo francamente exposto. ❝ conte-nos mais sobre o que é o amor , como é o sentimento , christopher ? é ser superficial e arrogante ? dar as costas a quem precisa ? ou fazer tudo o que é mandado somente para não ter que lidar com o sentimento de fracasso ? ❞ a cada questionamento o corpo inclinava em direção a ele , o olhar ácido corroendo a si mesma. ❝ é claro que a maldição é uma falácia , mas não porque ninguém — além de você , é claro , chris- ❞ o epíteto soava como um sibilo na língua feminina. ❝ sabe identificar o amor , mas pelo simples fato de que. o. amor. não. existe. ou você acha mesmo que se existisse o mundo seria como é ? ❞ considerando o assunto encerrado , o ar nocivo , até então aprisionado em seus pulmões , finalmente expelia. ajustando a postura com precisão , os olhos se fixaram na rodela de laranja que adornava o copo , como se fosse um ponto de contemplação existencial.
closed to @neslihvns, no bar.
Era final de tarde quando ele entrou no bar. Após um longo dia, repleto de comentários e da presença desnecessária do pai em seu escritório, a única coisa que Christopher conseguia pensar era que precisava de uma boa dose de whisky. Talvez mais de uma, isso se ele quisesse ter chances de acordar relativamente bem humorado no dia seguinte.
Acomodou-se em um dos bancos próximos da bancada e esperou pelo atendimento. Geralmente quando ia ali, Christopher exibia um sorriso simpático, que fazia com que as pessoas quisessem se aproximar dele naturalmente, mas naquele momento, seu esgotamento mental era tamanho que ele sequer era capaz de fingir normalidade. O garçom, que já o conhecia, tentou puxar assunto enquanto servia a dose costumeira de whisky, falando sobre as recentes histórias dos apaixonados, mas tudo o que conseguiu foi incomodá-lo mais.
"Você realmente acredita nessa história de maldição?" Questionou, o cenho franzido em uma clara expressão de julgamento. "Não te causa nem um pouco de estranhamento um monte de gente que se julgava incapaz de amar começar a amar após dois estranhos saírem gritando que estão apaixonados?" Os dedos se fecharam ao redor do copo que prontamente foi levado em direção aos lábios para que ele sorvesse um gole curto do líquido âmbar. "Isso não existe. Esse boom de histórias nada mais é do que um efeito manada. O amor sempre esteve por aí, e graças ao fato da maioria não saber como senti-lo, criou-se essa história boba pra ser usada como justificativa." Finalizou como se estivesse dizendo algo óbvio, não percebendo um rosto conhecido que estava próximo.
ainda que o tempo os tivesse transformado em completos desconhecidos emocionais — não que a proximidade outrora compartilhada tivesse sido imensamente profunda, e tampouco por falta de vontade de sua parte — em khadel , era virtualmente impossível não ser alcançada por sussurros e boatos sobre qualquer um . de longe , acompanhara a ascensão de matteo , do antigo companheiro de estudos ao influencer e modelo reconhecido , desejando poder oferecer sua alegria que sentia ao vê-lo conquistar e alcançar , ainda que de uma maneira contra ela mesma lutava , aquilo que sempre almejara . então, neslihan jamais acreditara que ele precisasse se transformar para ser aceito , não quando sempre fora extraordinário sem qualquer esforço . sentia o olhar dele pousado sobre si , aquela sensação estranha e , ao mesmo tempo , agridocemente familiar , reacendendo a habilidade que desenvolvera na adolescência de perceber a presença dele sem que uma única palavra fosse dita . evitava pensar na forma como havia desfeito aquele laço , como simplesmente o ignorara sem explicações , sem justificativas , e , mais ainda , na maneira silenciosa com que ele aceitara sua ausência . vê-lo com olivia não a surpreendera — faziam sentido juntos . e , sendo ambos absurdamente especiais , se encontrassem felicidade um no outro , ela comemoraria . mas então , como era da curiosa norma da cidade , distanciaram-se , e a gökçe jamais ousou mencionar matteo à boscarino .
volvendo a atenção para a raquete que parecia quase anciã no aperto masculino , custava a crer que ele a mantivera todos aqueles anos . notava os vestígios de poeira ainda presos entre as cordas , assim como as figuras que colara pouco antes de matteo tomá-la emprestada e jamais devolvê-la . não que houvesse se importado na época , nem mesmo quando fora punida por kadir pela suposta irresponsabilidade de tê-la perdido . sua mente adolescente , fascinada , via no gesto uma tentativa inconsciente de manter consigo algo dela . assentiu quando ele confirmou que já não praticava tanto e riu baixo ao perceber a forma como se corrigia , como se as palavras lhe escapassem quase em confissão , e ante o leve rubor que tingia a pele bronzeada. ❝ bem , imagino que não sobre muito tempo , entre a academia e o seu trabalho . ❞ deu de ombros , encontrando os olhos dele , um sorriso genuíno curvando os lábios . ❝ falando nisso , acho que não cheguei a te dizer como fiquei feliz pelo seu sucesso . ❞ achar era um eufemismo indulgente — não o dissera , arrependida da turbulência que a engolira e fizera com que o deixasse para trás . e não era apenas felicidade o que sentira na época — mas orgulho .
por um instante , observou-o alongar . os movimentos agora eram fluidos , tão distintos da postura inibida de quando eram mais jovens , e ainda assim havia nele um resquício do garoto que , de alguma forma , conquistara partes da criança e da adolescente que ela fora . ❝ posso moderar meu ritmo para ser mais justa , embora duvide que seja necessário . você está muito mais... em forma do que me lembro . ❞ piscou para ele , tentando disfarçar a hesitação sobre o adjetivo a ser usado , sem revelar os verdadeiros pensamentos . meneou a cabeça para si mesma antes de girar nos próprios calcanhares em direção à lançadora , empurrando a máquina para a linha lateral e recolhendo as bolas sobressalentes . lançou uma para as imediações da rede , para ser utilizada , quando a hesitação na voz alheia a fez pausar por alguns instantes , de costas para ele . por cima do ombro , encontrou o olhar que a acompanhara . ❝ levando em consideração tudo o que aconteceu e vem acontecendo... surpreendentemente ainda sã , e você ? ❞ aproximando-se , abaixou-se para apanhar a esfera amarelada e felpuda que havia arremessado . ao se erguer , apoiou um dos quadris contra o poste , aguardando-o finalizar . ❝ e como está signorina giulia ? sabe que ainda sonho com os cannolis que ela fazia ? ❞ recordava-se da figura materna do bianchi , por vezes , com mais afeto do que da própria , e o termo respeitoso escapava dos lábios com a mesma naturalidade que parecia ter voltado a ela sem que percebesse .
Não podia deixar de notar como ela havia ficado mais bonita. Mesmo na adolescência, Neslihan já atraia olhares — ao menos o seu olhar. Era um garoto magrelo e estranho com a única garota que era legal com ele, obviamente ele não era exatamente imune. E ela era bonita. Nada daquilo exatamente ajudava nas sessãos de estudo que tinha com ela. Os cabelos escuros estavam repuxados para trás num familiar rabo de cavalo, e ele se lembrava de como ela também puxava os cabelos para fora do rosto enquanto estava pensando. Quando era adolescente, ele era bem familiar com o perfil da mulher, espiando entre um exercício ou outro que não conseguia entender. Agora, não fazia questão de esconder que estava olhando diretamente para ela, afinal só haviam os dois naquela quadra.
"Nes," cumprimentou despojadamente. Apesar da distância entre eles, tanto física, quanto emocional, o apelido rolava dos seus lábios com facilidade e uma familiaridade estranhamente reconfortante. Não era exatamente como se soubesse o motivo deles terem se afastado. Não havia sentimento ruim da sua parte. Era apenas como se tivessem descobrido o quão diferente eles eram. Neslihan era muito boa para ele, no sentido que ela havia sido uma das poucas pessoas a ser gentil e amigável, de ter diversas vezes se colocado entre os tiros dados para ele. Ao mesmo tempo, ela era muito melhor que ele em tudo. Havia mais financeiramente, materialmente, emocionalmente, em seu raciocínio. Ele constantemente se sentia um completo desajustado ao redor dela. Era como se ela refletisse todas as coisas em que ele falhava miseravelmente. Ao mesmo tempo, ela não o fazia se sentir mal consigo mesmo. Não, Matteo fazia tudo aquilo dentro da sua própria mente, enquanto Nes não era nada além de agradável. Quando Matteo finalmente começou a não se sentir tanto o patinho feio... Ela já estava distante. Seu ego talvez tivesse ficado um pouco ferido de nunca poder ter mostrado seu outro lado, mas não havia ressentimentos da sua parte. Só não sabia se havia algum da parte dela, do motivo que poderia ter levado ao seu afastamento. "Não venho há algum tempo," falou, notando que não era exatamente a verdade e, junto dela, se sentia compelido a falar a verdade, mesmo que não viesse com naturalidade, "na verdade, não venho faz alguns anos." Sentiu o rosto aquecer levemente com o fato que as palavras rolavam com mais facilidade do que gostaria. O sentimento de familiaridade ao redor dela, como se tivessem estacionado no tempo. Talvez Matteo precisasse de passar algum tempo fora da academia e com um outro ser humano porque aquela carência para alguém que não lhe dava atenção num período de quase treze anos deveria ser deprimente.
"Aceito a companhia," ele disse, deixando a própria sacola cair próxima dela com a raquete também repousada no chão enquanto se curvava sobre as pernas num aquecimento rápido, "mesmo que já sabemos que vai ganhar, não é?" Suas habilidade com a raquete poderia ter melhorado, mas nada se comparava com todo o treino que ela havia tido durante anos. Para Matteo, aquele esporte era um passatempo na sua rotina que ainda o mantinha ativo, mas ele achava que era mais que aquilo para ela. "Como—como você está?" Perguntou de forma hesitante, mas inocente. Não queria pular para o assunto da maldição, da cachoeira, nem que havia visto ela com Camilo no restaurante. Ele queria ver se o senso de familiaridade que sentia era apenas coisa da sua imaginação ou se ainda existia alguma camaradagem entre eles.
✉️ : você fica muito unsexy só existindo
✉️ : triste mesmo é você pensar que a atração entre eu e ele foi arruinada pela sua presença
✉️ : a única coisa que você conseguiu arruinar foi a minha paciência
✉️ : já que donna marcella é TÃO impressionante e te deu tantas dicas , que tal levar ELA para um jantar ?
✉️ : talvez com o conhecimento de shibari que ela tenha , ela consiga amarrar a sua boca e me deixar relaxar por algumas horas no completo silêncio
✉️ : você me chamando de hani apenas me faz te detestar cada vez mais
✉️ : camilo , não , por favor , eu até imploro se for estritamente necessário
✉️ : eu faço tudo que me pedir , menos um encontro
📲 [milo]: você fica muito sexy ensinando gramática
📲 [milo]: fez o coitado vir de outra cidade só pra ser ignorado enquanto faz um show todinho só pra mim? caramba, foi mais triste que eu pensava então
📲 [milo]: tão inesquecível quanto uma xícara de chá
📲 [milo]: sei sim, é meu charme
📲 [milo]: calma lá, as regras eram claras: quem recebesse mais palmas, vencia. eu fiz um show digno, e ganhei merecidamente
📲 [milo]: pois a dona marcella é uma querida! adicionei ela no instagram e hoje mais cedo ela ate me enviou umas sugestões de atividades para fazer com minha namorada
📲 [milo]: dona marcella é vivida, porque uma das sugestões era shibari
📲 [milo]: direto pro roleplay? caramba, que apressada, hani
📲 [milo]: mas eu sou um romântico! então vou te pagar um jantar antes de te ver fantasiada de faxineira
münevven şahverdi , née gökçe ( 1973 - 2019 ) , mother , birce akalay !
kadir şahverdi ( 1967 ) , father , kenan imirzalıoğlu !
neslihan şahverdi gökçe ( 1995 ) , daughter , the activist , hande erçel !
@khdpontos
sob a penumbra das luzes fluorescentes , o coração de neslihan pulsava com uma intensidade incomum , como se buscasse , em seu próprio ritmo , uma fuga para o labirinto em que ela o aprisionara , amordaçado e vendado . seu olhar vagueava pelas feições que surgiam e desapareciam , tão volúveis quanto o bruxulear das velas , dançando ao sabor de um vento suave que acariciava o ambiente como um toque de afeição . a gökçe proferia as palavras por obrigação , a mente ainda presa nas sombras do que enfrentara por dias para conseguir o broche nas mãos de pasqualina . a entonação era tênue , como a convicção de que algo ali fosse verdadeiro , mesmo que o porta-retratos , com a fotografia de uma infância há muito vivida , parecesse irradiar calor para a palma única , ainda em cicatrização , que o mantinha em um firme aperto .
e então , a mesma sensação que a envolvera ao tocar o objeto guardado pelo gelo e pela neve ressurgiu em seu corpo , um peso ancestral sobre seus ombros e a atmosfera quase tangível que arrepiava sua pele , como se ela estivesse de volta às temperaturas glaciais . vozes , estranhas e desconexas , ecoavam em seus ouvidos , os timbres e falas imprecisos demais para fazer qualquer sentido — reverberando dolorosamente nos ossos femininos , simultaneamente misteriosamente familiares e estranhamente distantes . as íris que pouco antes haviam revirado diante da teatralidade de zafira , agora tremulavam por um motivo completamente diferente . a angústia por algo inexplicável substituía o oxigênio nos pulmões da turca , restringindo suas respirações com uma apreensão sufocante e desespero . os sentimentos não lhe eram estranhos , mas ali não havia razão aparente para existirem , bem como a sensação lancinante que se espalhava por seus nervos , fazendo as cicatrizes em sua palma vibrarem junto ao ombro deslocado em aflição aguda .
por uma eternidade que se estendeu pelo que pareceu ser um século , seu corpo se tensionava sob o vigor das emoções à deriva , até o cintilar muto de nove das velas se extinguir e cessar qualquer noção . para a única chama ainda acesa , alívio fisgou neslihan . com uma respiração profunda — a primeira talvez desde que tomara a posse de serena — , assentiu para si mesma , irritação retornando ao resvalar o olhar com o de camilo . mesmo que não acreditasse na encenação que se desenrolava , não era de seu feitio exalar ao universo o que não esperava que se concretizasse . ter os dois unidos , mesmo que por objetos pertencentes a um casal trágico do passado , era uma ideia desastrosa — especialmente considerando as reações que a simples presença dele vinha suscitando nela desde o jantar . não importava que um aperto se formara instantaneamente na base de sua espinha ao ver o brilho alaranjado da chama oscilando sobre a parafina de uma única vela . o que à turca realmente importava era que , mais uma vez , seu ceticismo havia sido validado , embora , dessa vez , às custas de olhares melancólicos e expressões abaladas de alguns .
@khdpontos
antes mesmo que os primeiros raios solares rasgassem o véu da madrugada , neslihan já percorria o caminho até o pequeno complexo esportivo , a raquete equilibrada entre os dedos . o aroma fresco da grama recém aparada , meticulosamente ajustada aos padrões internacionais , impregnava seus sentidos , oferecendo um instante fugaz de alívio . mas nem mesmo aquele perfume familiar conseguia dissipar por completo a sensação de exaustão latente , o peso dos dias recentes transformando-a em um animal ferido , perdido na escuridão de uma floresta desconhecida . retirou o cardigã , sentindo o arrepio escalar-lhe os braços sob a brisa cortante da alvorada , após depositar a bolsa junto à rede — um ritual já automático — , com as raquetes extras . por vezes , dependendo do humor , estourava as cordas de poliamida com a força desmedida de seus golpes , como se o próprio equipamento carregasse consigo a frustração acumulada , então sempre trazia as excedentes . com os cabelos firmemente presos no alto da cabeça e os nervos tensionados , não desperdiçou tempo com aquecimentos triviais . a corrida ao redor da villa , antes de ceder à tentação de pegar o carro e dirigir até ali , fora mais do que suficiente para preparar os músculos . seu único objetivo era derrotar a máquina lançadora — um adversário silencioso , preciso e incansável . e assim , a mulher se perdia nos movimentos meticulosamente calculados , os golpes ressoando contra as cordas tensionadas da raquete , canalizando a exasperação que lhe queimava por dentro . o tempo se tornava irrelevante , a única certeza era o alívio sutil que se insinuava em seus ombros , a rigidez gradualmente cedendo enquanto sua mente se libertava das inquietações que , dia após dia , pareciam se entranhar mais fundo em seu consciente .
um sorriso despontou quando sua memória a transportou para o instante em que segurou uma raquete pela primeira vez — uma das muitas exigências paternas . dentre todas , talvez aquela fosse uma das poucas que ainda preservava com apreço , mesmo que , na época , as cordas fossem de tripa natural , um material que agora se recusava a sequer ponderar . o cenho se franziu ao recordar os treinos extenuantes , excessivos para uma criança sem qualquer ambição profissional no esporte , mas menos que a perfeição jamais fora aceito sob o teto dos şahverdi , então se tornou a norma . a respiração adquiriu uma cadência melancólica ao lembrar dos dias em que tinha companhia – uma companhia que ia além da miríade de treinadores cuja simples presença a fazia desejar nunca mais encará-los . matteo surgiu em sua mente como um relâmpago — um vestígio confuso em sua mente com a forma como tudo havia se desfeito , em meio ao caos infernal no qual ela era a personagem principal .
com o suor escorrendo por cada poro de sua pele , sacudiu as memórias com um último golpe certeiro na bola final lançada pela máquina . levando as mãos à cintura , puxou o ar límpido da manhã para dentro dos pulmões exaustos , contando mentalmente até dez . na última expiração , foi arrancada de seu momento de trégua por uma voz masculina . por um breve instante , sentiu a alma sair do corpo , como se sua própria lembrança tivesse evocado matteo em carne e osso à sua frente . com a destra pousada sobre o coração acelerado , inclinou levemente o quadril e esboçou um sorriso contido — um reflexo de algo reprimido há muito tempo , ou talvez apenas até o momento em que todos foram tragados pelo mistério que pairava sobre khadel como um véu espectral . quando sua rotina meticulosamente planejada começou a ruir . ❝ ei , teo . ❞ o apelido escapava com naturalidade , como se treze anos não tivessem se esgueirado entre eles sem quase nenhuma palavra trocada . enquanto caminhava até a bolsa descartada , procurando pela garrafa , seus olhos captaram um detalhe que fez o pequeno sorriso persistir , a raquete que pendia das mãos dele , os adesivos no cabo denunciando sua familiaridade . ❝ nunca te vi por aqui antes… mas suponho que nossos horários se diferem na maior parte dos dias . ❞ ergueu uma sobrancelha , indicando com o olhar o objeto desgastado entre os dedos masculinos . ❝ veio jogar sozinho ou aceita companhia ? ❞ a pergunta carregava o mesmo tom melancólico das lembranças que há pouco enevoaram seus pensamentos . ❝ eu poderia usar um adversário mais desafiador . ❞
Starter fechado para @neslihvns
Quadra de tênis
Sua rotina de exercícios focava em musculação e atividades que ainda poderiam ser feitas na Casa Comune, como kickboxing, Muay Thai ou boxe. Porém, vez ou outra, Matteo gostava de se aventurar em outros esportes. Fosse para causar um pequeno desconforto no seu corpo ao experimentar algo novo, fosse para quebrar um pouco a monotonia do conhecido, ele achava que colocar coisas diferentes na sua rotina lhe traria algum benefício. Era por isso que, naquela manhã, ele optou pelo tênis. Pegou uma raquete esquecida dentro da garagem abarrotada de quinquilharias e logo a onda de memórias associadas ao objeto veio em sua mente.
Ele tinha treze anos e pegou uma raquete no quarto de Neslihan. Ela estava tentando ensiná-lo algo de matemática, mas a mente inquieta de Matteo não conseguia focar nas equações. Ele não entendia porque as coisas lhe eram tão mais difíceis quanto para os seus colegas, mas os números, letras e formas pareciam dançar na folha, causando sua própria inquietação. Ele perguntou para ela o que era aquilo e, mesmo entre um olhar autoritário que dizia que ele devia estar prestando atenção em outra coisa, ela explicou para ele o jogo.
Aos dezesseis anos foi provavelmente quando jogaram o último jogo juntos. Cada dia mais suas lições ficavam espaçadas. Algumas vezes interrompidas por causa da nova rotina física de Matteo, outros dias por algum compromisso que Neslihan possuia. Parecia que suas agendas nunca alinhavam, tão raro quanto um completo alinhamento planetário e Matteo só sabia responder com a única expressão externa que conseguia oferecer aos outros: indiferença. Não podia ir atrás dela. Ele nem sabia o que havia acontecido para o afastamento. Depois daquele dia nunca mais se encontraram intencionalmente dentro ou fora da quadra.
Tinha vinte anos e havia jogado algumas vezes aleatórias, ainda com a raquete emprestada que nunca devolveu. Algumas objetos ficavam perdidos pelo contato entre aqueles que os manipulavam e esse era um dos casos. Talvez nunca voltaria ao verdadeiro dono. Parou de jogar por muito tempo.
Agora, segurando a raquete, ele percebia o quanto ela parecia pequena na sua mão e muito mais velha que lembrava. Talvez fosse a camada de poeira que lhe cobria, depois de longos anos em desuso. Ele girou na mão e decidiu levá-la, mais pelo valor sentimental do que pela praticidade. Provavelmente teria que alugar uma nova para poder jogar. Mas algo de tudo que estava acontecendo, a ligação do grupo mais improvável que poderia ser colocado junto em Khadel, fazia com que ele pensasse mais sobre as suas conexões, ou a falta delas. No fundo Matteo sabia que a indiferença com que levava a vida seria sua ruína. Sozinho, desconfiado e provavelmente rabugento. Era assim que terminaria. Não poderia culpar nenhuma maldição pelo desamor, ele mesmo afastava qualquer um que se atrevesse a tentar estar na sua vida.
Como se evocasse o fantasma de Neslihan com aquela raquete, ele avistou a mulher numa das quadras assim que chegou no lugar. Era cedo, talvez cedo demais, para agir indiferente e fingir que não havia lhe visto. Eram as únicas almas ali naquele horário, tirando o jovem na entrada que havia o recebido. Matteo respirou fundo e foi em direção à mulher, tentando pensar em algo para dizer, mas tudo parecia ficar àquem do desejável. "Ei," cumprimentou, soando patético na sua cabeça, mesmo que nada realmente escorrece ao exterior.
( @khdpontos )
𝒕𝒉𝒆 𝒂𝒄𝒕𝒊𝒗𝒊𝒔𝒕 ! neslihan gökçe , 29 , human rights lawyer . can you hear my heart beating like a hammer ?
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